domingo, maio 21, 2006

A morte de Ilenidlavski!


Meia noite e Bertile vestia seu casaco de peles. Meia noite e um e Pam punha um revólver sob a meia-calça. Ilenidlavski colocou seu melhor colete à prova de balas sob o smoking alemão com o garbo e a elegância que só um lorde casaquistaniano teria.
Na festa tudo corre bem, mas não para nosso gângser em questão... os garçons não são garçons, foram contratados pelas criminosas acima descritas. Estão armados e as bandejas são armas disfgarçadas! Todos os convidados, sabem do futuro certo de Ilenid. Todos mancomunados em direção de um só fim. O chefe de polícia, a cúpula da M.C., Stiepán, o advogado que disfarçado veio conferir com os própios olhos o fim de seu maior rival. Não sabe Stiepán que sua morte está sendo traçada também. Mas e agroa o que será de Ilenid? Cercado, acossado sem mesmo saber... o que será de Ilenid?
Bertile o atrai a um canto, lá está Pam, a charmosa chefe das Lótus letais, eis q ele está encurralado agora. Não sabe, mas está encurralado! O perfume de ambas o inebria, entontecido tal qual uma abelha ante uma flor carnívora ele dá mais um passo e outro e outro seguindo nossas caras femme-fatales. Num quarto escuro ouve-se um tiro, dois tiros... trinta e dois tiros.
Ilenidlavski é morto agora. Um filete de sangue corre por baixo da porta. O que acontecerá então? Bertile e Pam estão no comando da maior rival da Sociedade, e comandam a distribuição de H.E.C. na capital nossa querida e hipócrita Curitiba. Quem defenderá Stiepán? Quem defenderá Naka? Zancanarius sobreviverá? O macabro Leonard nem suspeita que seria ele o próximo e terá seu destino conmtado nesse mesmo canal, nesse mesmo horário.

sábado, maio 13, 2006

A "preciosidade"!


A Sociedade de férias. Caribe, Cancún, Bolívia e Casaquistão. Férias longas que se encerraram numa sexta-feira 13 enquanto Stiepán, o Advogado, retornou ao covil central e encontrou os papéis revirados. O cofre aberto, porém intocado. Não queriam dinheiro, mas o que queriam então? Stiepán correu até um outro cofre mais secreto sob a estátua nua de Hebe Camargo que dava uns ares non senses à sala. Cofre aberto e lá estava a ”preciosidade” ainda intocada. Mas quem poderia ter encontrado o covil central da horda de Stiepán.
__Alô! Lampkowski Naka?
__Não!... Você deve me chamar de “Fofinho-rosa” pôrra... é o código, caráleo!
__Desculpe! Fofinho-rosa... Mas... arrombaram o QG. Estamos vulneráveis, não roubaram nada, deve ter sido aquele porco do Ilenidlavski que queria a “preciosidade”.
__Minha Santa Margarida! Só o Ilenid realmente passaria por todas as armadilhas e guardas armados que cercam o QG. P@#$%¨& (xingamentos censurados). Temos de nos certificar de que a preciosidade estará a salvo! Não pode haver mais falhas!
__OK, Fofinho-rosa! Não falharemos...
A cúpula da Sociedade não sabia, mas Bertile mancomunada à srta Pâmela-femme-fatale foram as autoras da fatídica invasão do QG subterrâneo sob o Café Paris. Ilenid nem sabia, mas elas armavam um golpe de estado e iriam unificar as coroas das duas organizações, Máfia Casaquistaniana e Sociedade sob as mãos impiedosas de ambas. E para isso necessitavam de descobrir o que era a “preciosidade” já que era ela o grande motivo de discórdia entre as gangues rivais e roubá-la e destruí-la. Para assim vulneravilizar os dois lados e pô-los em choque e atacá-los pela retaguarda com punhais finos.
Então agora Pam e Bertile colocam suas luvas lascivas sobre as mãos leves e maquiam-se para a festa em que Ilenidlavski será assassinado... Quem poderá nos defender agora?!

domingo, maio 07, 2006


eu leio abstratamente a linguagem das folhas que caem

e te consagro com um nome que é dito em suspiro de manhãs de ressaca

__na varanda crescem tulipas e eu bendigo seus orgasmos de noites escuras,

nas noites de verões que descem pra afagar meninas insones

que criam repúblicas aprazíveis de stripers e traficantes estrangeiros!...__

exércitos invadem a nação dos poetas modernistas com fardas atônitas

e eu tenho a noção verdadeira da realidade como impressão risível

do que não é nem pode ser sério e factível

domingo, abril 23, 2006


O café estava com um doce bom e prenunciava boas novas. Coisas que acontecem sem a gente perceber: a moça na entrada da faculdade o paquerava, mas só a viu quando ela já saía.

“E por que não nessa altura do campeonato da vida não me dar o direito de uma loucurazinha? Houve dias em que me perguntava as causas dos erros da vida para com este que vos fala... Por agora me preocupo em não me preocupar. Quem me dera ser sem apegos a músicas e fotos na memória, olhos claros e versos de bobo-da-côrte...”

Traçou mapas na mente, descarregou um revólver na letargia e deixou-se a si mesmo falando sozinho enquanto explicava os porquês de ser infeliz... um dia quem sabe voltará com novas boas-novas e um vinho nada camusiano embaixo do braço: evoé!... easily... e-vo--é...

quinta-feira, abril 06, 2006

A incrível noite do Helloween!

Quem poderia suspeitar? Helloween era a banda alemã de metal melódico mais dependente em heideggeraína que já visitou esses cantos subtropicais quase temperados do planeta!... Um pouco antes do show numa esquina escura, porém iluminada, de Ctba Stiepánovitch Lemonovski Cruz deixava seu carro sofrer de inanição de gasolina. Um mentecapto sujo realmente! No qual nunca houve neurônios na mente, senão coliformes fecais. Quem empurraria o carro numa avenida daquelas senão tivesse a companhia do garboso Valdinéli? Quem empurraria o carro naquela noite assim tão escura se não tivesse a companhia da charmosa e elegante Deborah? Certamente não seria Stiepán... no porta-malas do carro muita heideggeraína e muita falta de noção na cabeça de Stiepán. Deborah era uma informante da máfia berlinense que é a produtora exclusiva de heideggeraína para o mundo. Viera ao Brasil para se imiscuir aos expúrios integrantes da Sociedade para obter dados de como estavam os negócios nessas terras em tudo dá ao deus-dará. Mas Ilenidlavski soubera disso e disfarçara-se de Valdinéli naquela noite tenebrosa. Disfarce perfeito, ninguém diria que por trás daquele rapaz deveras simpático e gentlemaníaco havia um sanguinário criminoso.
No show tudo correu bem, poucos assassinatos. Ilenidlavski se contera, Stiepán também, mas, ó deus!, Deborah não! Socos, pontapés, tiros e navalhadas a cada elogio ao ouvido. Quando metade da platéia já havia apanhado Deborah começou a se conter.
Stiepán: __ Será que ela precisa de ajuda?
Valdinéli, ou Ilenidlavski: __ Perto dela nós é que precisamos?
Estava tudo bem, mas Ilenidlavski já embasbacara-se pela jovem berlinense. O que seria da nossa história se não fosse o porém de que Deborah ignorara os olhares de Ilenidlavski, com olhos de Valdinéli, pela possiblidade de falar com a banda ao fim do show? Nada. Mas o que aconteceu daí em diante foi uma cena jamais vista. Ilenidlavski chorando copiosas lágrimas trancado em um Peugeot 206 sob os auspícios gargalhantes de Stiepán. Essa não é uma história de aventuras como as outras sobre a Sociedade, meus amigos. Essa é uma história triste como pôr-de-sol triste. Nada mais restava aos nossos protagonistas senão o Largo da Ordem. Um melancólico, outro dando gargalhadas a perder de vista e uma terceira frustrada sem ter falado com a banda. Meus amigos aqui a história acaba. A não ser pela bandeira do Brasil suja de mijo. A não ser pelo Arlindo contando a sua história de vida. A não ser pela incrível petulância da noite que insistia em transformar-se em dia. A não ser pela memória que me falha e não me diz nada do que aconteceu depois. E voltaram todos para a casa cantarolando: “Fifteen men in the Dead Man’s Chest! Hohoho... and a bottle of rum”...

domingo, março 05, 2006

ontologia descritiva de si

sou o som das buzinas, a negação das buzinas no silêncio por trás do tumulto
a metropóle que nasce tão morta na marquise
a complacência dos psicopatas
a psicopatia delicada de analisar a alma humana
a demência bem velada de qualificar e quantificar em classes as personalidades
sou o que não pude ser, sou um além de si muito aquém de si mesmo
um copo que transborda ondas e mar tempestuoso
um cálice de vinho fino despejado ao ralo da pia
o despejo do vinho fino ao ralo da pia
o ralo da pia em que despejam o vinho fino

mas não o vinho fino despejado ao ralo da pia
o que não sou, mas me pretendo a ser
o que devo ser sem que eu seja
o vir-a-ser condenado a não-ser
o não-ser que é ilógico na sua única lógica
a recusa da lógica na pretensão de raciocinar
o raciocínio que sente antes de pensar
o grito num túnel soterrado
a melodia além da orquestra que ressoa
nos ouvidos do mendigo em frente ao teatro


sou o que fui enquanto queria ser e passei a vida querendo...

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

24/02/2005

...Duas noites de insônia.

...Minha razão está calada, apenas minha mente pulsa. Louca, como um grito num túnel escuro! A insônia é a minha maneira de prolongar a noite, multiplicá-la por si mesmo, até que o dia espoca nos olhos cansados...

domingo, fevereiro 12, 2006

quem tem um coração que cuide dele

quem tem um coração que cuide dele (isso mesmo meus amigos, meus pobres amigos. se é que posso lhes chamar de amigos, me ignorem se for o caso)!

houve um tempo em que achei que o coração devia ficar na mente, lugar seguro para ser policiado e que se impedisse mais romantismos bobos. esse tempo passou, hoje o coração deve ser é estirpado. isso mesmo sejamos todos cruéis com os sentimentos alheios, façamos de nossos companheiros de humanidade apenas meios para atingirmos nossas metas. fim em si mesmo? kant era um romântico, deixe esse kantismo pra lá...

os cardiologistas já me desenganaram: "peça de museu esse seu coração meu rapaz, tecnologia do séc XVIII. a receita é ler Werther!". cardiologistas, sempre querendo ver seus pacientes deitados numa cama de UTI ao som de um apito longo e intermitente. "menos um!..." sejamos cruéis primeiro com os cardiologistas, depois com os anjos da guarda. maníacos estúpidos, bêbados todos! onde eles estavam qdo eu fiz as minhas cagadas do coração? nalgum boteco celeste, bebendo e cantando a garçonete que devia ser uma querubina safada também. antes pensava que meu anjo da guarda tivesse se suicidado, imaginando-se um fracassado comigo. tinha pena dele. depois tive certeza:'foi o Murphy que matou meu pobre anjo da guarda". mas não, bêbado safado, displicente! não-cumpridor de seus deveres.

ajudar velhinhas a atravessar a rua?... desculpem-me velhinhas, tenho mais o que fazer, ocupado demais em atravessar-me a mim mesmo. meu coração já secou, as amadas furtivas, as amadas de flerte, as eternas efêmeras que nunca ficam, essas não cabem mais por aqui nessa terra de miocárdios, pericárdios, válvulas e tumores de amores passados. quem tem um coração que cuide dele. o meu como não tem solução (não entrego à ciência, sou pudico e não creio nessa religião politeísta do século XX) vai ser aposentado, trabalhar sem obter resultados não adianta, melhor parar e descansar. colocar o pobre numa cadeira de balanço, sob um xale xadrez, com uma vista bonita e sobreviver nas ruas infinitas.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

esses rapazes de hoje em dia, essa corja de rapazes que só namoram e nada fazem. deviam ir todos ao quartel, serem disciplinados, por farda e pegar em fuzil, defender a pátria! ah no meu tempo! esses jovens que ficam pelos cantos e nas ruas e ficam escrevendo em blogs como se fosse algo de proveitoso a uma vida cívica e como pode se tornar um bom ai-de-família um rapaz assim? ah nesses dias pós-modernos esses rapaazes pós-modernos, essas moças pós-modernas! na minha época não era assim! a moral amoral dessa juventude é uma quimera, o que diria um Rui Barbosa disso? fica a pergunta o que diria o Rui Barbosa disso?! meu deus, Deus meu! ah no meu tempo!... já poríamos isso na linha! moça vai pra cozinha ser prendada, rapaz vai estudar e ser engenheiro... música? o hino nacional tá bom, e os cânticos litúrgicos no máximo. meu deus! deus meu! e o que sobra disso é a pergunta: o que raios diria Rui Barbosa disso!?

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

facticidade e contingência


Eu queria afundar as embarcações, ser o rochedo em que se chocam, eu queria saciar os pesadelos levando-os ao dia claro e ao espaço comum do dia.