quinta-feira, março 22, 2007

quadrinhos a espera de um desenhista: artista frustrado


__Meus quadros compostos com fezes não estão mais sendo apreciados... Está sendo esquecido o sentido da arte.

__Realmente, ninguém sabe mais o que é arte hoje em dia!...

sábado, março 17, 2007

O inferno: primeiras concepções


Lendo alguma coisa de Sartre:
__”O inferno são os outros.”
Algum tempo refletindo e alcanço uma idéia bombástica:

__O inferno é que eu sou o outro dos outros!
O planeta continua girando como um tonto, o trânsito e o universo continuam na mesma e encontro a síntese dessa dialética toda:

__Sartre que vá pro inferno!...

domingo, fevereiro 25, 2007

A Sociedade reatada! Breno Rex Juninho tem que pagar

Com o golpe do hashômon-invertido, Naka, o supérfluo, estourou a porta e adentrou à sala do QG da Sociedade onde já o esperavam Stiepánovitch, o advogado, Zancanarius, o sabathiano, e Leo, só Leo mesmo.
__Boas vindas, sócio!
__Boas vindas é o caralho! Limpem meu allstar com a língua!
__Vai pro inferno seu pôrra!__ com esses cumprimentos que a praxe e a boa educação recomendam, os quatro da Sociedade reataram suas relações comerciais.

Mas havia alguém para apagar. Alguém que já não pode continuar vivo. Alguém com informações precisas demais sobre muita coisa que não se pode ter. Alguém que sabia demais!
__Mal volto das férias já tenho que trabalhar, merda!__disse Naka.

Breno Rex Juninho, estava com seu traje típico. Pilche completo, bombacha maior que a confiança que tem Russel, maior que a crença inexorável em Frege. Foi ao oratório a esse deus-graçado, o vaso sanitário, com uma cópia de “On Denoting”. Leu duas frases ao acaso e deixou uma lágrima escorrer e voltando à cama ouviu um barulho. Foi à sala pilchado como manda as tradições gaúchas e deu de cara com Stiepán armado com um Ser e Tempo carregado. Fazia mira na testa de Breno Rex que implorou fazendo aquela expressão de Poppeye com a boca:
__Por favor! Não me mate, eu sou apenas um filósofo de oitava categoria. Aliás nem creio nas categorias kantianas. Aliás eu nem creio, apenas sei.
__Ora bolas, Breno Rex! Você sabe demais. Preciso livrar a humanidade das suas certezas. Não me venha com churumelas!__ dizendo isto Stiepán engatilhou seu Ser e Tempo e de um só tiro inquiriu a pergunta fatal__“Porque o ente e não antes o nada?,” me responda seu strawsoniano!
__O ente? Como assim? Nada.. o que é isso?__ Breno Rex consultou seus compêndios, sua famigerada tese, sua memória e não conseguiu entender e teve seus conceitos arrancados de suas referências de um só golpe__ Mas bah! isso é tricomplexo!

Em dois minutos o Dasein de Breno estava niilizado, para todo o sempre sentiria ele uma profunda unheinlichkeit. Voltando ao carro Stiepán e os outros três conversaram: “Está feito!”, “Ele gritou?” “Não. Só fez uma oração kripkiana”, “Esse sujeito não nos incomoda mais”, “Esse sujeito nem será predicado mais!” arrematou Stiepán, satisfeito. Então cantaram o pneu em dó maior e escafederam-se dali sem deixar pistas no asfalto mal iluminado por uma obscuridade analítica.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

As peripécias de Plínio

O sol se chocava nos óculos espelhados de Plínio, enquanto caminhava em alguma rua da cidade. Pra onde vai ainda não sabemos.

Um livro na mão, pouco dinheiro no bolso, um bilhete de loteria amassado. Consultou as horas no relógio ao entrar no bar. Dois goles de uma aguardente barata e um cigarro mal fumado caído no cinzeiro, saiu de novo pra rua contraindo os olhos antes de voltar a usar os óculos. No anel prateado da mão direita Sheila não estava esquecida. Uma esquina à esquerda e entrou por um corredor com uma escada sem iluminação, o a falta de reboco se acentuava em buracos na parede, primeiro andar entrou em outro corredor com uma lâmpada quase desnecessária, havia janelas grandes de vitrô sujo. Parou em frente ao apê 15 e bateu na porta, ana Lúcia atendeu:

__Oi...
__Que bom que você veio! Entre.
(... instante de silêncio, Plínio observando os móveis, a paisagem da janela) Fizeram sexo a tarde toda. Depois de meia hora de sono, Plínio acordou e foi até o banheiro. Tirou a aliança do dedo, olhou pra ela sem respirar. Jogando água no rosto teve a sensação nítida de que tudo estava vazio. O universo dos relacionamentos humanos é um vácuo sem motivos.

Toc... toc... Lúcia batendo na porta do banheiro depois de alguns minutos de espera, usava uma camisola vermelha com a barra já um pouco puída.

__Tudo bem Plínio?__Ele jogando o anel no lixo disse que sim. Respirou e pôs a mão no trinco de cobre escurecido. Parou e voltou, entre o lixo pegou a aliança, sentindo o vazio que tudo aquilo significava.

domingo, novembro 12, 2006

As peripécias de Plínio

Em frente ao boteco Plínio fumava encostado na parede, do outro lado da rua Sheila saiu da casa do namorado.
__Que tava fazendo aí?... você é minha!
__Tá maluco! Me solta... acabou, entendeu! Acabou!
__Você é minha!...
__Me deixa!

Soltou o braço da moça, fúria sob o óculos, faca na cinta! Matar ela? Matar ele? Se matar? Não matou ninguém. Voltou pra casa e cortou limões com a faca afiada e com muita cachaça afogou a noite dizendo “você vai voltar a ser minha...”.

terça-feira, outubro 03, 2006

ECCE HOMMO

Andando por uma rua escura, fétida, latas de lixo ao chão, Pam e suas Lótus Letais, preparam-se para invadir o apê-esconderijo de Bertile. A Sociedade regozija a briga interna das novas chefas da Máfia Casaquistaniana.

Não se sabe ao certo como foi, mas do outro lado da cidade, numa roda de magia negra, Ilenidlavski fora invocado e chamado à Terra. Qual não foi a surpresa quando por entre o céu noturno um relâmpago devolveu Ilenid à forma humana. Diz-se que 18 galinhas negras, 25 bodes e 32 urubus foram sacrificados naquela noite, mas o fato é que Ilenid respirando os ares poluídos de Ctba, sacou de seu calibre 22 de estimação e pôs abaixo um a um, os que o tiraram do sono eterno para a facticidade humana outra vez.

Bertile e Pam engalfinhavam-se com golpes jamais vistos por seres dotados de polegar opositor, assistidos pacificamente pelas Lótus Letais e por um cara de binóculos do outro lado da rua. Stiepán, o advogado, dizia consigo:
__Isso, com a direita, a esquerda agora... __ como se dirigisse os destinos da luta.

Krav Maga, Tae kwon do, Kung fu em todas as suas variações, a técnica da águia assassina, do dente-de-sabre... o repertório de golpes inimaginável. Stiepán ora pensava que Pam, ora que Bertile sairia encedora, mas suporia que a briga seria interrompida.
Valham-me todos os santos! Ilenidlavski abre a porta com um chute. Ressuscitado! ECCE HOMMO! Ambas perplexas olhavam estupefatas, esperavam serem redimidas pelo sofrimento ao vê-lo. Ilenid, ajeitando seu topete bagunçado com o chute na porta, disse calmamente:
__Ora minhas queridas, não briguem, sei que me mataram, mas creio que só minha existência poderá livra-las do extermínio. A vencedora dessa luta não conseguirá deter a Sociedade, mas nós três poderemos. Proponho partilharmos de dos lucros da MC. 33,33% para cada um.... heim...
__Mas você não quer vingar sua morte, matar nós duas?__ perguntou Bertile, sob o olhar perscrutador de Pam.
__Ora, eu teria feito o mesmo. Agora precisamos conversar sobre negócios...
Martin Ilenidlavski, o magnânimo, colocando ordem na casa salvava sua reputação e colocava em cheque a existência da Sociedade. Quem sobreviverá? Deus talvez saiba.

domingo, julho 16, 2006

Não estou me afogando o suficientemente rápido. A gente deve prestar atenção quando alguém diz "Esse mundo não é pra você, caralho!". Algumas bocas de batom vermelho sem importância passam considerando-se o centro do universo. Isso dá uma vontade de dormir!... Vou dormir pra acordar. Existe uma espectativa qualquer... rs!... Ela não vai se concretizar. Não estou me afogando o suficientemente rápido. A noite não acabou, ainda tenho que desafinar um pouco as músicas que eu tenho de memória. Acabaram as pílulas de ar blasé, que eu tinha no bolso de trás da calça.

sábado, julho 08, 2006

in-der-welt-sein


Todas as músicas são doídas. Toda alegria é chapliniana. O sol é noire. A vida dança tango e canta Lupicínio Rodrigues.

(...), pausa para um solo de baixo.

__Meu coração é uma coleção de suturas.

sábado, junho 03, 2006

músicas tristes...

Estou ouvindo músicas tristes. A única coisa que me resta é ouvir essas músicas.

Ouço essas músicas por que ela tem olhos castanhos. Olhos de decepcionada. Tão sérios. Ouviram meus leitores? Ela tem olhos castanhos, e nunca solta os cabelos. Sempre pedi que os deixasse soltos, mas nunca faz isso. Percebem? Tenho um medo agora de que ela se desencante. Que meus poucos encantos não afetem mais seus olhos. Hoje é dia de fazer perguntas como, por que eu estou sem ela?
Hoje é dia de se fazer muitas coisas, mas vou apenas me perguntar isso “por que estou sem ela?”... Tenho coisas grandes pra fazer, mas a maior dessas coisas é me perguntar “por que estou sem ela?” Quem sabe proclamar uma revolução ou viajar a uma ilha no Pacífico, escalar o Everest... Não... O que preciso hoje realmente é poder responder essa pergunta.
Também não! Não é isso o que eu preciso. O que eu quero é encontrar alguém pra culpar. Mas quem?...
Você! Sim você é o culpado. Pombas! Como não vi isso antes? Você mesmo que está lendo isso agora! Não fuja das suas responsabilidades e nunca mais faça isso. Entendeu!?
Puxa...
Esqueça. Você também não é culpado. Há culpado? Deve ser eu mesmo, de alguma maneira o culpado. Mas o que sei é que estou ouvindo essas músicas tristes e que ela tem olhos castanhos. E que ela fica tão linda de cabelos soltos.

domingo, maio 21, 2006

A morte de Ilenidlavski!


Meia noite e Bertile vestia seu casaco de peles. Meia noite e um e Pam punha um revólver sob a meia-calça. Ilenidlavski colocou seu melhor colete à prova de balas sob o smoking alemão com o garbo e a elegância que só um lorde casaquistaniano teria.
Na festa tudo corre bem, mas não para nosso gângser em questão... os garçons não são garçons, foram contratados pelas criminosas acima descritas. Estão armados e as bandejas são armas disfgarçadas! Todos os convidados, sabem do futuro certo de Ilenid. Todos mancomunados em direção de um só fim. O chefe de polícia, a cúpula da M.C., Stiepán, o advogado que disfarçado veio conferir com os própios olhos o fim de seu maior rival. Não sabe Stiepán que sua morte está sendo traçada também. Mas e agroa o que será de Ilenid? Cercado, acossado sem mesmo saber... o que será de Ilenid?
Bertile o atrai a um canto, lá está Pam, a charmosa chefe das Lótus letais, eis q ele está encurralado agora. Não sabe, mas está encurralado! O perfume de ambas o inebria, entontecido tal qual uma abelha ante uma flor carnívora ele dá mais um passo e outro e outro seguindo nossas caras femme-fatales. Num quarto escuro ouve-se um tiro, dois tiros... trinta e dois tiros.
Ilenidlavski é morto agora. Um filete de sangue corre por baixo da porta. O que acontecerá então? Bertile e Pam estão no comando da maior rival da Sociedade, e comandam a distribuição de H.E.C. na capital nossa querida e hipócrita Curitiba. Quem defenderá Stiepán? Quem defenderá Naka? Zancanarius sobreviverá? O macabro Leonard nem suspeita que seria ele o próximo e terá seu destino conmtado nesse mesmo canal, nesse mesmo horário.