quarta-feira, janeiro 18, 2006

Declaração de veemência e suavidade

"...como um fio de algodão
acalmando um furacão."M.I.

Não há vida fora de mim
Não há morte fora da mim
Eterna dialética de existir-nãoexistir

Quero uma amante louca
De mil tornados sobre si
Eu quero muito mais que viver
Eu quero girar como girassóis

Mas se tiver um bom descanso
Ouvindo as sinfonias das chuvinhas safadas
Destruindo a monotonia com o silêncio sonoro das suas gotas

Mas os tanques voltarão
Quando voltarem estarei preparado para a batalha!
Que venham AK’s e .40’s!

Farei qualquer dia
Uma ode aos b52’s,
Uma elegia às baterias antiaéreas,
Uma saudação aos mariners,
Mandarei um beijo cortês aos cavaleiros da morte,
E seus engenhos maravilhosos de destruição em massa,
Cartinhas carinhosas aos generais,
Lustrarei as estrelinhas deles com sangue dos inocentes,
As botas com a saliva que já escorre
das bocarras insaciáveis deles.

mas quero girar e girar agora
como um girassol em fúria
como um planeta em órbita
ou em rota de colisão

Eu quero encontrar as supernovas
Eu quero um bigbang pra mim agora

Eu quero ver a vida por aí
Em qualquer instante jogado
Mas não há vida fora de mim
Não há morte fora da mim
Eterna dialética de existir-nãoexistir

sexta-feira, janeiro 13, 2006

(...)

Quem o visse andando pelas ruas, vivendo anonimamente, não saberia que ele havia nascido para se foder. Coitado, diriam uns se o soubessem. Mas a cena é tragicômica demais para sentir pena. Algo entre Chaplin e Lupicínio Rodrigues. O destino era um safado. Um safado sarcástico que gostava de lhe colocar cascas de banana sob os pés. O cupido um zarolho. Ah! era um zarolho o cupido, flechando sempre o coração certo na hora errada. Mas é que Murphy havia matado a tiros o anjo-da-guarda do nosso protagonsista.

“Puxa vida!... Que coisa!...”, exclama a platéia sem saber que o espetáculo já acabara sem aviso de “the end”.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

discussão sobre a falta de assunto em blog...

"mato-me setenta vezes por minuto a cada bater do coração"; ILENIDLAVSKI, Martin. diz:
acho que vou me suicidar!
Estevão diz:
boa sorte...
"mato-me setenta vezes por minuto a cada bater do coração"; ILENIDLAVSKI, Martin. diz:
eh a terceira vez que decido isso hj.
Estevão diz:
se for bom, volte e me conte...
"mato-me setenta vezes por minuto a cada bater do coração"; ILENIDLAVSKI, Martin. diz:
mas o ônibus freiou, a faca não tinha corte e o gás acabou no botijão.
"mato-me setenta vezes por minuto a cada bater do coração"; ILENIDLAVSKI, Martin. diz:
aí tive de me contentar com a existência mesmo.
Estevão diz:
isso que eu chamo de estar na facticidade da existência é não ter como se livrar disso...
"mato-me setenta vezes por minuto a cada bater do coração"; ILENIDLAVSKI, Martin. diz:
mas jah como diria "Chopp in hour":
Estevão diz:
nossa...
"mato-me setenta vezes por minuto a cada bater do coração"; ILENIDLAVSKI, Martin. diz:
ich drinken yesen, ich vivenden, alt auf drink ist, morrenden ist!
"mato-me setenta vezes por minuto a cada bater do coração"; ILENIDLAVSKI, Martin. diz:
eu bebo sim, estou vivvendo, tem gente que não bebe eestah morrendo!
"mato-me setenta vezes por minuto a cada bater do coração"; ILENIDLAVSKI, Martin. diz:
um brinde ao cachacismo!

(...)

Então ambos os interlocutores despediram-se, tomaram sua dose de heidegerraína e dormiram o sono próprio aos injustos.

domingo, janeiro 01, 2006

...em junho de 2005

Ah maldita! o seu sexo!... ah... o seu sexo é um desespero imenso sobre a calma da minha existência. Do meu canto penumbroso e quieto jogado contra o precipício das suas curvas. Por que me olhar com tantos entorpecimentos? Você me olha, eu sei que me olha. Não sabe que sou humano, bem humano? É isso o que quer... um homem para crucificar de olhares e desse andar demoníacamente santo! Se quer tens eu aqui, cativo! Nas celas desejosas do meu corpo tens um prisioneiro. Eu me embrenharia no sonho atordoante dos seus cabelos como aventureiro que se perde pelo prazer de perder-se... eu me desataria em choro e me retribuiria à morte, eu me deixaria morrer... de santas loucuras sob a sombra da nave do templo do seu corpo. Nada deteria minha mão cariciosa e sedenta, nada romperia a batalha de nossos corpos ou quebraria meu secreto juramento de paz e tormenta, mas destruiria meu altar das divindades morais, sacrificaria a existência pela evocação de seu toque, pacificaria os exércitos... ah como pacificaria, e criaria muitas guerras a mais, para pacificá-las de calma extrema nas noites em que te encontrasse. Mas... ah divindades!

Mas não se deve macular seu riso... não se toca a sua sacralidade louca... não se bebe das pétalas o mel do seu charme... não se concebe da sua pele surrupiar um arrepio... sacrilégio, ah que sacrilégio seria! Um santo sacrilégio de banhar seu corpo saciado numa madrugada, no quase já da manhã. Mais nada... Que o bálsamo de gritar me conceda paz. Nada há mais que faça sentido, a não ser não encontrar sentido em nada. Que o seu nome não seja jamais pronunciado por outras vozes, que nunca saibam do incêndio celestial do seu sexo, que não tenham jamais o seu toque como eu teria se pelos anjos da guarda eu não fosse um danado jogado à existência como uma estôpa a um canto da despensa!

Ah... que a noite seja leve!

sábado, dezembro 24, 2005

baudeleriana livre: primeiras estrofes

Eu quero hoje um sentimento torpe.
Tragar de uma vez a maldade do mundo,
Com um gole de toda solidão possível.

Eu quero hoje um vício que me dê prazer intenso.
Praticar uma vileza que me dê sentimentos bons.
Assassinar meus anjos e meus demônios de um só tiro.
(...)

terça-feira, dezembro 20, 2005

parabéns... ao som de ''chão de giz''


sinto-me como se fosse uma lata de pulgas ao relento. acho que é esse o sentimento. talvez nem tanto. mais um ano, menos um ano... falta alguma coisa ainda. pra supri-la eu preciso de álcool, álcool. correndo pelo meu corpo, me tonteando. me alienando da dura vida prática em que se tem de enfrentar problemas. ontem não me sentia assim, amanhã talvez as coisas mudem. talvez as coisas continuem assim ou talvez o universo se desintegre num grito no pôr-do-sol. as formigas, ouvi dizer, preparam um ataque e não restará nada depois do juízo final. talvez o álcool, descendo por meu corpo, depois do corpo a alma, depois da alma o cosmos caótico do dia-dia. menção honrosa? louvação idiota! “é proibido chorar nas ruas de asfalto”, já disse o M.I. esse sabia bem de mim. dane-se o M.I. o turbilhão da vida dá voltas e cai no mesmo beco iniludível e escuro. mas é tarde e é hora de dormir. quem sabe o universo não se desintegre amanhã antes da aurora! preciso estar acordado para ver. mas aurora é sempre vazia e até agora eu não entendi porque escrevi esse texto tão pessoal!

sexta-feira, dezembro 16, 2005

claire de lune...

Claro de luar... ah é claro de luar!

Prateado... ah...! prateado como a tiara de uma princesa do século quinto
Que não se escondesse e nem se insinuasse, apenas existisse sob o universo.
Oh deus das existências! Longínquo e absoluto me leva nesse claro.

Só tenho a fraqueza como pertence,
Todo o resto se perdeu ou nem existiu.
Mas se é tudo o que tenho, então é tudo que posso te dar agora,
meu claro, meu claro de luar.
Numa bandeja translúcida, num cálice de divagações...
...em devoção como um cão ao luar.

Imensa essa vontade de gritar!
__COMO UM CÃO AO LUUUUUAAAAAAR...!
Raios na manhã escura, chove álcool nos olhos como se sibilassem neóns...
Jogam-se os neóns, vadios e invejosos do luar, sobre a fluência noturna
De almas de homens angustiados, de meninos angustiados... e de homens-meninos.
Angusti.... a.... dosssss...

Abro os olhos e vejo uma encruzilhada,
Armada de tocaia pelo destino, com a felicidade na mira.
Um deslize e baaaam...! outra vítima.

O safado do destino que fugiu numa numa carruagem para uma nuvem.
E viu de camarote o primeiro raio desse claro...
Ahhhh...
...desse claro de
luhhhh...
aaaaar...!

domingo, dezembro 11, 2005

Pam e Martin encurralados: a Sociedade descobriu os esconderijos sob o Teatro Guaíra!

“A-wop-bop-loom-map-lop-bang-boom...” disse o cantor sacolejando. Mas Ilenidlavski não sabia que o cantor sacolejava enquanto estava cantando, era a vitrola do Come-come Saloon que esganiçava um rockabilly. Outro gole de Caboom! __ drink de álcool anidro, absinto e ácidos diversos, com uma rodela de abacaxi pra disfarçar __ e Ilenid estava pronto, a noite seria longa. Promessas de morte. Uma da Sociedade: “SABEMOS AONDE VOCÊ ESTÁ! NÃO FUJA QUE SUA MORTE NÃO SERÁ DOLOROSA”. Outra da Polícia através de informantes:“FUJA ENQUANTO HÁ TEMPO, A CASA CAIU!”. A noite seria longa. Enfurnado há três dias no Come-come Saloon, já não sabia da cor do sol, mas chamado urgentemente por Pam, a líder das Lótus letais, entrou pelos esgotos e adentrou, com ajuda dos eremitas subterrâneos de Curitiba, aos esgotos no subsolo do Teatro Guaíra, seu novo esconderijo. Seus passeios noturnos pelo interior do teatro na época da encenação das óperas deram-no a fama de fantasma, o Fantasma da Ópera, e um dia fez-se então uma ópera em homenagem a esse “fantasma”.

Pam já o esperava. “Ora Ilenid. Você corre perigo! Deve ficar aqui enquanto chefio as ações da M.C.!” “A M.C. é uma engrenagem de onde não pode parar nenhuma peça. Se minhas ordens não guiarem os rumos da M.C. ela afunda como um barco que não quer mais navegar”, disse o mafioso com a arrogância que a vida lhe deu. A discussão varou horas a fio e Pam convenceu-o enfim a deixar-se estar naquele subsolo.
Três horas da manhã. “Estaplauft”! Uma bomba atinge a porta de vidro do Guairão! Um horda de capangas da Sociedade adentra o saguão e se dirige ao palco vazio, liderados por Leo, o macabro, e Zancanarius, o metódico. Tomam, então, de assalto os bastidores, depois dos bastidores as salas arredores e cafofos escondidos e descem em um ataque cirúrgico aos cubículos do subsolo onde Martin e Pam se encolhiam assustados a um canto do recinto. Então ouve-se o barulho de uma pesada de coturno na porta...

Conseguirão, Martin e Pam, livrar-se dessa armadilha inexorável do destino...? Vejam as cenas dos próximos capítulos nesse mesmo canal pedante e podre, nesse mesmo horário qualquer.

domingo, novembro 27, 2005

Pam das Lótus Letais e Ilenidlavski da M.C.: a Sociedade corre perigo!

Fazia sol em Curitiba! Fazia sol, mas uma escuridão tremenda encobria as almas pútridas dos caras da M.C., a Máfia Casaquistaniana. Ilenidlavski fora denunciado e preso com a boca na botija, com a mão massa, enfim, com caixas e caixas de H.E.C.. Flagrante delito! Mas depois de uma contenda infernal em que colocou à prova sua capacidade desmesurada de destruição, livrou-se da cadeia. Agora ele é o inimigo público n.º 1 de Ctba e região metropolitana. Acossado, caçado, escondido, enfurnado em seu castelo não podia ficar. Alternava entre seu esconderijo embaixo do Palácio Iguassu e os puteiros da capital. Uma noite aqui outra ali. Vida bandida!
A Máfia não é mais como antes. A Belle Epoque Mafiose... Bons tempos aqueles que podia se matar e extorquir com classe e gozar dos bons olhos da sociedade, mas era agora momento de se agremiar ajuda. Não havia outra chance. Ela! Sim, ela! Pam, a danada líder das Lótus Letais. Quadrilha carioca de 32 mulheres especializadas na guerrilha urbana e assaltos invisíveis, distribuidora oficial de H.E.C. no Rio e Baixada... Pam era conhecida pela fragrância de lírios que deixava pelo caminho em que passava, inebriava os policiais nos tiroteios com seu perfume e os sufocava de prazer olfativo. Conhecida já de muito tempo de Ilenid por correspondências, guardavam entre eles uma pacto de ajuda mútua que deveria ser respeitado por todos os sempres da vida, ou até que as convenicências ainda convierem. Era a hora... e a temível e sedutora líder das Lótus Letais, dona de letalidades e argúcias nunca vistas, aterrizava no Afonso Pena. Com vistas a ajudar seu fiel amigo contra as tempestuosidades da vida mafiosa e seus rivais da Sociedade que já punham olho grande sobre as áreas de influência da M.C.

Então uma nuvem cobriu o sol e uma pomba passional se suicidou de cima do edifício Itália sobre os transeuntes desatentos.

sábado, novembro 12, 2005

Ilenidlavski preso! Interrogatório acaba em narizes quebrados e estupefação popular!


__Nome?
__..., disse em silêncio.
__Nome, pôrra! Tapas, chutes, torturas de toda espécie.
Mais silêncio... Respiração ofegante.
__Nome...
__Ilenidlavski. Martin Ilenidlavski, seu criado!
__Profissão?
__...
Mais chutes, mais tapas, entram quatro policiais na sala para segurá-lo, mais dois e o faxineiro também. Não dão conta. 32 brutamontes são escollhidos na turba que aguarda na porta da delegacia para linchá-lo. Entram e finalmente o seguram.
__Profissão?
__Máfia...
__Não perguntei o nome do ramo de atuação. Só a profissão.
__Hhhh... Fhhhh..., respira arfante cansado da briga.
__O que você fazia naquele galpão acompanhado de 300 caixas de H.E.C. e mais trinta caras armados?
__Promovíamos uma festa de debutantes para sua filha, disse laconicamente.

Os policiais confabulam, chamam o delegado, ligam pro Secretário de Segurança e chegam a conclusão que Martin está sendo irônico.

__Você quer brincar não é...?! Vamos ensiná-lo a dar risadinhas rapazes!

Depois de uma briga infernal com todos os policiais o faxineiro, os trinta caras da rua, tiros de vários calibres são ouvidos, socos, tapas, puxões de cabelo e gritinhos de “tira a mão daí!”, Martin Ilendilavski saiu da sala de interrogatório realmente dando uma risadinha crucialmente sarcástica, levemente irônica, densamente contente. Limpou o pince-nez, checou as horas no relógio de bolso, concertou a posição do lenço no bolso do paletó negro como o meio-dia, e dirigiu-se a mais um assassinato marcado cruzando a multidão atônita crente em seu martírio.