terça-feira, outubro 03, 2006

ECCE HOMMO

Andando por uma rua escura, fétida, latas de lixo ao chão, Pam e suas Lótus Letais, preparam-se para invadir o apê-esconderijo de Bertile. A Sociedade regozija a briga interna das novas chefas da Máfia Casaquistaniana.

Não se sabe ao certo como foi, mas do outro lado da cidade, numa roda de magia negra, Ilenidlavski fora invocado e chamado à Terra. Qual não foi a surpresa quando por entre o céu noturno um relâmpago devolveu Ilenid à forma humana. Diz-se que 18 galinhas negras, 25 bodes e 32 urubus foram sacrificados naquela noite, mas o fato é que Ilenid respirando os ares poluídos de Ctba, sacou de seu calibre 22 de estimação e pôs abaixo um a um, os que o tiraram do sono eterno para a facticidade humana outra vez.

Bertile e Pam engalfinhavam-se com golpes jamais vistos por seres dotados de polegar opositor, assistidos pacificamente pelas Lótus Letais e por um cara de binóculos do outro lado da rua. Stiepán, o advogado, dizia consigo:
__Isso, com a direita, a esquerda agora... __ como se dirigisse os destinos da luta.

Krav Maga, Tae kwon do, Kung fu em todas as suas variações, a técnica da águia assassina, do dente-de-sabre... o repertório de golpes inimaginável. Stiepán ora pensava que Pam, ora que Bertile sairia encedora, mas suporia que a briga seria interrompida.
Valham-me todos os santos! Ilenidlavski abre a porta com um chute. Ressuscitado! ECCE HOMMO! Ambas perplexas olhavam estupefatas, esperavam serem redimidas pelo sofrimento ao vê-lo. Ilenid, ajeitando seu topete bagunçado com o chute na porta, disse calmamente:
__Ora minhas queridas, não briguem, sei que me mataram, mas creio que só minha existência poderá livra-las do extermínio. A vencedora dessa luta não conseguirá deter a Sociedade, mas nós três poderemos. Proponho partilharmos de dos lucros da MC. 33,33% para cada um.... heim...
__Mas você não quer vingar sua morte, matar nós duas?__ perguntou Bertile, sob o olhar perscrutador de Pam.
__Ora, eu teria feito o mesmo. Agora precisamos conversar sobre negócios...
Martin Ilenidlavski, o magnânimo, colocando ordem na casa salvava sua reputação e colocava em cheque a existência da Sociedade. Quem sobreviverá? Deus talvez saiba.

domingo, julho 16, 2006

Não estou me afogando o suficientemente rápido. A gente deve prestar atenção quando alguém diz "Esse mundo não é pra você, caralho!". Algumas bocas de batom vermelho sem importância passam considerando-se o centro do universo. Isso dá uma vontade de dormir!... Vou dormir pra acordar. Existe uma espectativa qualquer... rs!... Ela não vai se concretizar. Não estou me afogando o suficientemente rápido. A noite não acabou, ainda tenho que desafinar um pouco as músicas que eu tenho de memória. Acabaram as pílulas de ar blasé, que eu tinha no bolso de trás da calça.

sábado, julho 08, 2006

in-der-welt-sein


Todas as músicas são doídas. Toda alegria é chapliniana. O sol é noire. A vida dança tango e canta Lupicínio Rodrigues.

(...), pausa para um solo de baixo.

__Meu coração é uma coleção de suturas.

sábado, junho 03, 2006

músicas tristes...

Estou ouvindo músicas tristes. A única coisa que me resta é ouvir essas músicas.

Ouço essas músicas por que ela tem olhos castanhos. Olhos de decepcionada. Tão sérios. Ouviram meus leitores? Ela tem olhos castanhos, e nunca solta os cabelos. Sempre pedi que os deixasse soltos, mas nunca faz isso. Percebem? Tenho um medo agora de que ela se desencante. Que meus poucos encantos não afetem mais seus olhos. Hoje é dia de fazer perguntas como, por que eu estou sem ela?
Hoje é dia de se fazer muitas coisas, mas vou apenas me perguntar isso “por que estou sem ela?”... Tenho coisas grandes pra fazer, mas a maior dessas coisas é me perguntar “por que estou sem ela?” Quem sabe proclamar uma revolução ou viajar a uma ilha no Pacífico, escalar o Everest... Não... O que preciso hoje realmente é poder responder essa pergunta.
Também não! Não é isso o que eu preciso. O que eu quero é encontrar alguém pra culpar. Mas quem?...
Você! Sim você é o culpado. Pombas! Como não vi isso antes? Você mesmo que está lendo isso agora! Não fuja das suas responsabilidades e nunca mais faça isso. Entendeu!?
Puxa...
Esqueça. Você também não é culpado. Há culpado? Deve ser eu mesmo, de alguma maneira o culpado. Mas o que sei é que estou ouvindo essas músicas tristes e que ela tem olhos castanhos. E que ela fica tão linda de cabelos soltos.

domingo, maio 21, 2006

A morte de Ilenidlavski!


Meia noite e Bertile vestia seu casaco de peles. Meia noite e um e Pam punha um revólver sob a meia-calça. Ilenidlavski colocou seu melhor colete à prova de balas sob o smoking alemão com o garbo e a elegância que só um lorde casaquistaniano teria.
Na festa tudo corre bem, mas não para nosso gângser em questão... os garçons não são garçons, foram contratados pelas criminosas acima descritas. Estão armados e as bandejas são armas disfgarçadas! Todos os convidados, sabem do futuro certo de Ilenid. Todos mancomunados em direção de um só fim. O chefe de polícia, a cúpula da M.C., Stiepán, o advogado que disfarçado veio conferir com os própios olhos o fim de seu maior rival. Não sabe Stiepán que sua morte está sendo traçada também. Mas e agroa o que será de Ilenid? Cercado, acossado sem mesmo saber... o que será de Ilenid?
Bertile o atrai a um canto, lá está Pam, a charmosa chefe das Lótus letais, eis q ele está encurralado agora. Não sabe, mas está encurralado! O perfume de ambas o inebria, entontecido tal qual uma abelha ante uma flor carnívora ele dá mais um passo e outro e outro seguindo nossas caras femme-fatales. Num quarto escuro ouve-se um tiro, dois tiros... trinta e dois tiros.
Ilenidlavski é morto agora. Um filete de sangue corre por baixo da porta. O que acontecerá então? Bertile e Pam estão no comando da maior rival da Sociedade, e comandam a distribuição de H.E.C. na capital nossa querida e hipócrita Curitiba. Quem defenderá Stiepán? Quem defenderá Naka? Zancanarius sobreviverá? O macabro Leonard nem suspeita que seria ele o próximo e terá seu destino conmtado nesse mesmo canal, nesse mesmo horário.

sábado, maio 13, 2006

A "preciosidade"!


A Sociedade de férias. Caribe, Cancún, Bolívia e Casaquistão. Férias longas que se encerraram numa sexta-feira 13 enquanto Stiepán, o Advogado, retornou ao covil central e encontrou os papéis revirados. O cofre aberto, porém intocado. Não queriam dinheiro, mas o que queriam então? Stiepán correu até um outro cofre mais secreto sob a estátua nua de Hebe Camargo que dava uns ares non senses à sala. Cofre aberto e lá estava a ”preciosidade” ainda intocada. Mas quem poderia ter encontrado o covil central da horda de Stiepán.
__Alô! Lampkowski Naka?
__Não!... Você deve me chamar de “Fofinho-rosa” pôrra... é o código, caráleo!
__Desculpe! Fofinho-rosa... Mas... arrombaram o QG. Estamos vulneráveis, não roubaram nada, deve ter sido aquele porco do Ilenidlavski que queria a “preciosidade”.
__Minha Santa Margarida! Só o Ilenid realmente passaria por todas as armadilhas e guardas armados que cercam o QG. P@#$%¨& (xingamentos censurados). Temos de nos certificar de que a preciosidade estará a salvo! Não pode haver mais falhas!
__OK, Fofinho-rosa! Não falharemos...
A cúpula da Sociedade não sabia, mas Bertile mancomunada à srta Pâmela-femme-fatale foram as autoras da fatídica invasão do QG subterrâneo sob o Café Paris. Ilenid nem sabia, mas elas armavam um golpe de estado e iriam unificar as coroas das duas organizações, Máfia Casaquistaniana e Sociedade sob as mãos impiedosas de ambas. E para isso necessitavam de descobrir o que era a “preciosidade” já que era ela o grande motivo de discórdia entre as gangues rivais e roubá-la e destruí-la. Para assim vulneravilizar os dois lados e pô-los em choque e atacá-los pela retaguarda com punhais finos.
Então agora Pam e Bertile colocam suas luvas lascivas sobre as mãos leves e maquiam-se para a festa em que Ilenidlavski será assassinado... Quem poderá nos defender agora?!

domingo, maio 07, 2006


eu leio abstratamente a linguagem das folhas que caem

e te consagro com um nome que é dito em suspiro de manhãs de ressaca

__na varanda crescem tulipas e eu bendigo seus orgasmos de noites escuras,

nas noites de verões que descem pra afagar meninas insones

que criam repúblicas aprazíveis de stripers e traficantes estrangeiros!...__

exércitos invadem a nação dos poetas modernistas com fardas atônitas

e eu tenho a noção verdadeira da realidade como impressão risível

do que não é nem pode ser sério e factível

domingo, abril 23, 2006


O café estava com um doce bom e prenunciava boas novas. Coisas que acontecem sem a gente perceber: a moça na entrada da faculdade o paquerava, mas só a viu quando ela já saía.

“E por que não nessa altura do campeonato da vida não me dar o direito de uma loucurazinha? Houve dias em que me perguntava as causas dos erros da vida para com este que vos fala... Por agora me preocupo em não me preocupar. Quem me dera ser sem apegos a músicas e fotos na memória, olhos claros e versos de bobo-da-côrte...”

Traçou mapas na mente, descarregou um revólver na letargia e deixou-se a si mesmo falando sozinho enquanto explicava os porquês de ser infeliz... um dia quem sabe voltará com novas boas-novas e um vinho nada camusiano embaixo do braço: evoé!... easily... e-vo--é...

quinta-feira, abril 06, 2006

A incrível noite do Helloween!

Quem poderia suspeitar? Helloween era a banda alemã de metal melódico mais dependente em heideggeraína que já visitou esses cantos subtropicais quase temperados do planeta!... Um pouco antes do show numa esquina escura, porém iluminada, de Ctba Stiepánovitch Lemonovski Cruz deixava seu carro sofrer de inanição de gasolina. Um mentecapto sujo realmente! No qual nunca houve neurônios na mente, senão coliformes fecais. Quem empurraria o carro numa avenida daquelas senão tivesse a companhia do garboso Valdinéli? Quem empurraria o carro naquela noite assim tão escura se não tivesse a companhia da charmosa e elegante Deborah? Certamente não seria Stiepán... no porta-malas do carro muita heideggeraína e muita falta de noção na cabeça de Stiepán. Deborah era uma informante da máfia berlinense que é a produtora exclusiva de heideggeraína para o mundo. Viera ao Brasil para se imiscuir aos expúrios integrantes da Sociedade para obter dados de como estavam os negócios nessas terras em tudo dá ao deus-dará. Mas Ilenidlavski soubera disso e disfarçara-se de Valdinéli naquela noite tenebrosa. Disfarce perfeito, ninguém diria que por trás daquele rapaz deveras simpático e gentlemaníaco havia um sanguinário criminoso.
No show tudo correu bem, poucos assassinatos. Ilenidlavski se contera, Stiepán também, mas, ó deus!, Deborah não! Socos, pontapés, tiros e navalhadas a cada elogio ao ouvido. Quando metade da platéia já havia apanhado Deborah começou a se conter.
Stiepán: __ Será que ela precisa de ajuda?
Valdinéli, ou Ilenidlavski: __ Perto dela nós é que precisamos?
Estava tudo bem, mas Ilenidlavski já embasbacara-se pela jovem berlinense. O que seria da nossa história se não fosse o porém de que Deborah ignorara os olhares de Ilenidlavski, com olhos de Valdinéli, pela possiblidade de falar com a banda ao fim do show? Nada. Mas o que aconteceu daí em diante foi uma cena jamais vista. Ilenidlavski chorando copiosas lágrimas trancado em um Peugeot 206 sob os auspícios gargalhantes de Stiepán. Essa não é uma história de aventuras como as outras sobre a Sociedade, meus amigos. Essa é uma história triste como pôr-de-sol triste. Nada mais restava aos nossos protagonistas senão o Largo da Ordem. Um melancólico, outro dando gargalhadas a perder de vista e uma terceira frustrada sem ter falado com a banda. Meus amigos aqui a história acaba. A não ser pela bandeira do Brasil suja de mijo. A não ser pelo Arlindo contando a sua história de vida. A não ser pela incrível petulância da noite que insistia em transformar-se em dia. A não ser pela memória que me falha e não me diz nada do que aconteceu depois. E voltaram todos para a casa cantarolando: “Fifteen men in the Dead Man’s Chest! Hohoho... and a bottle of rum”...

domingo, março 05, 2006

ontologia descritiva de si

sou o som das buzinas, a negação das buzinas no silêncio por trás do tumulto
a metropóle que nasce tão morta na marquise
a complacência dos psicopatas
a psicopatia delicada de analisar a alma humana
a demência bem velada de qualificar e quantificar em classes as personalidades
sou o que não pude ser, sou um além de si muito aquém de si mesmo
um copo que transborda ondas e mar tempestuoso
um cálice de vinho fino despejado ao ralo da pia
o despejo do vinho fino ao ralo da pia
o ralo da pia em que despejam o vinho fino

mas não o vinho fino despejado ao ralo da pia
o que não sou, mas me pretendo a ser
o que devo ser sem que eu seja
o vir-a-ser condenado a não-ser
o não-ser que é ilógico na sua única lógica
a recusa da lógica na pretensão de raciocinar
o raciocínio que sente antes de pensar
o grito num túnel soterrado
a melodia além da orquestra que ressoa
nos ouvidos do mendigo em frente ao teatro


sou o que fui enquanto queria ser e passei a vida querendo...