terça-feira, dezembro 20, 2005

parabéns... ao som de ''chão de giz''


sinto-me como se fosse uma lata de pulgas ao relento. acho que é esse o sentimento. talvez nem tanto. mais um ano, menos um ano... falta alguma coisa ainda. pra supri-la eu preciso de álcool, álcool. correndo pelo meu corpo, me tonteando. me alienando da dura vida prática em que se tem de enfrentar problemas. ontem não me sentia assim, amanhã talvez as coisas mudem. talvez as coisas continuem assim ou talvez o universo se desintegre num grito no pôr-do-sol. as formigas, ouvi dizer, preparam um ataque e não restará nada depois do juízo final. talvez o álcool, descendo por meu corpo, depois do corpo a alma, depois da alma o cosmos caótico do dia-dia. menção honrosa? louvação idiota! “é proibido chorar nas ruas de asfalto”, já disse o M.I. esse sabia bem de mim. dane-se o M.I. o turbilhão da vida dá voltas e cai no mesmo beco iniludível e escuro. mas é tarde e é hora de dormir. quem sabe o universo não se desintegre amanhã antes da aurora! preciso estar acordado para ver. mas aurora é sempre vazia e até agora eu não entendi porque escrevi esse texto tão pessoal!

sexta-feira, dezembro 16, 2005

claire de lune...

Claro de luar... ah é claro de luar!

Prateado... ah...! prateado como a tiara de uma princesa do século quinto
Que não se escondesse e nem se insinuasse, apenas existisse sob o universo.
Oh deus das existências! Longínquo e absoluto me leva nesse claro.

Só tenho a fraqueza como pertence,
Todo o resto se perdeu ou nem existiu.
Mas se é tudo o que tenho, então é tudo que posso te dar agora,
meu claro, meu claro de luar.
Numa bandeja translúcida, num cálice de divagações...
...em devoção como um cão ao luar.

Imensa essa vontade de gritar!
__COMO UM CÃO AO LUUUUUAAAAAAR...!
Raios na manhã escura, chove álcool nos olhos como se sibilassem neóns...
Jogam-se os neóns, vadios e invejosos do luar, sobre a fluência noturna
De almas de homens angustiados, de meninos angustiados... e de homens-meninos.
Angusti.... a.... dosssss...

Abro os olhos e vejo uma encruzilhada,
Armada de tocaia pelo destino, com a felicidade na mira.
Um deslize e baaaam...! outra vítima.

O safado do destino que fugiu numa numa carruagem para uma nuvem.
E viu de camarote o primeiro raio desse claro...
Ahhhh...
...desse claro de
luhhhh...
aaaaar...!

domingo, dezembro 11, 2005

Pam e Martin encurralados: a Sociedade descobriu os esconderijos sob o Teatro Guaíra!

“A-wop-bop-loom-map-lop-bang-boom...” disse o cantor sacolejando. Mas Ilenidlavski não sabia que o cantor sacolejava enquanto estava cantando, era a vitrola do Come-come Saloon que esganiçava um rockabilly. Outro gole de Caboom! __ drink de álcool anidro, absinto e ácidos diversos, com uma rodela de abacaxi pra disfarçar __ e Ilenid estava pronto, a noite seria longa. Promessas de morte. Uma da Sociedade: “SABEMOS AONDE VOCÊ ESTÁ! NÃO FUJA QUE SUA MORTE NÃO SERÁ DOLOROSA”. Outra da Polícia através de informantes:“FUJA ENQUANTO HÁ TEMPO, A CASA CAIU!”. A noite seria longa. Enfurnado há três dias no Come-come Saloon, já não sabia da cor do sol, mas chamado urgentemente por Pam, a líder das Lótus letais, entrou pelos esgotos e adentrou, com ajuda dos eremitas subterrâneos de Curitiba, aos esgotos no subsolo do Teatro Guaíra, seu novo esconderijo. Seus passeios noturnos pelo interior do teatro na época da encenação das óperas deram-no a fama de fantasma, o Fantasma da Ópera, e um dia fez-se então uma ópera em homenagem a esse “fantasma”.

Pam já o esperava. “Ora Ilenid. Você corre perigo! Deve ficar aqui enquanto chefio as ações da M.C.!” “A M.C. é uma engrenagem de onde não pode parar nenhuma peça. Se minhas ordens não guiarem os rumos da M.C. ela afunda como um barco que não quer mais navegar”, disse o mafioso com a arrogância que a vida lhe deu. A discussão varou horas a fio e Pam convenceu-o enfim a deixar-se estar naquele subsolo.
Três horas da manhã. “Estaplauft”! Uma bomba atinge a porta de vidro do Guairão! Um horda de capangas da Sociedade adentra o saguão e se dirige ao palco vazio, liderados por Leo, o macabro, e Zancanarius, o metódico. Tomam, então, de assalto os bastidores, depois dos bastidores as salas arredores e cafofos escondidos e descem em um ataque cirúrgico aos cubículos do subsolo onde Martin e Pam se encolhiam assustados a um canto do recinto. Então ouve-se o barulho de uma pesada de coturno na porta...

Conseguirão, Martin e Pam, livrar-se dessa armadilha inexorável do destino...? Vejam as cenas dos próximos capítulos nesse mesmo canal pedante e podre, nesse mesmo horário qualquer.

domingo, novembro 27, 2005

Pam das Lótus Letais e Ilenidlavski da M.C.: a Sociedade corre perigo!

Fazia sol em Curitiba! Fazia sol, mas uma escuridão tremenda encobria as almas pútridas dos caras da M.C., a Máfia Casaquistaniana. Ilenidlavski fora denunciado e preso com a boca na botija, com a mão massa, enfim, com caixas e caixas de H.E.C.. Flagrante delito! Mas depois de uma contenda infernal em que colocou à prova sua capacidade desmesurada de destruição, livrou-se da cadeia. Agora ele é o inimigo público n.º 1 de Ctba e região metropolitana. Acossado, caçado, escondido, enfurnado em seu castelo não podia ficar. Alternava entre seu esconderijo embaixo do Palácio Iguassu e os puteiros da capital. Uma noite aqui outra ali. Vida bandida!
A Máfia não é mais como antes. A Belle Epoque Mafiose... Bons tempos aqueles que podia se matar e extorquir com classe e gozar dos bons olhos da sociedade, mas era agora momento de se agremiar ajuda. Não havia outra chance. Ela! Sim, ela! Pam, a danada líder das Lótus Letais. Quadrilha carioca de 32 mulheres especializadas na guerrilha urbana e assaltos invisíveis, distribuidora oficial de H.E.C. no Rio e Baixada... Pam era conhecida pela fragrância de lírios que deixava pelo caminho em que passava, inebriava os policiais nos tiroteios com seu perfume e os sufocava de prazer olfativo. Conhecida já de muito tempo de Ilenid por correspondências, guardavam entre eles uma pacto de ajuda mútua que deveria ser respeitado por todos os sempres da vida, ou até que as convenicências ainda convierem. Era a hora... e a temível e sedutora líder das Lótus Letais, dona de letalidades e argúcias nunca vistas, aterrizava no Afonso Pena. Com vistas a ajudar seu fiel amigo contra as tempestuosidades da vida mafiosa e seus rivais da Sociedade que já punham olho grande sobre as áreas de influência da M.C.

Então uma nuvem cobriu o sol e uma pomba passional se suicidou de cima do edifício Itália sobre os transeuntes desatentos.

sábado, novembro 12, 2005

Ilenidlavski preso! Interrogatório acaba em narizes quebrados e estupefação popular!


__Nome?
__..., disse em silêncio.
__Nome, pôrra! Tapas, chutes, torturas de toda espécie.
Mais silêncio... Respiração ofegante.
__Nome...
__Ilenidlavski. Martin Ilenidlavski, seu criado!
__Profissão?
__...
Mais chutes, mais tapas, entram quatro policiais na sala para segurá-lo, mais dois e o faxineiro também. Não dão conta. 32 brutamontes são escollhidos na turba que aguarda na porta da delegacia para linchá-lo. Entram e finalmente o seguram.
__Profissão?
__Máfia...
__Não perguntei o nome do ramo de atuação. Só a profissão.
__Hhhh... Fhhhh..., respira arfante cansado da briga.
__O que você fazia naquele galpão acompanhado de 300 caixas de H.E.C. e mais trinta caras armados?
__Promovíamos uma festa de debutantes para sua filha, disse laconicamente.

Os policiais confabulam, chamam o delegado, ligam pro Secretário de Segurança e chegam a conclusão que Martin está sendo irônico.

__Você quer brincar não é...?! Vamos ensiná-lo a dar risadinhas rapazes!

Depois de uma briga infernal com todos os policiais o faxineiro, os trinta caras da rua, tiros de vários calibres são ouvidos, socos, tapas, puxões de cabelo e gritinhos de “tira a mão daí!”, Martin Ilendilavski saiu da sala de interrogatório realmente dando uma risadinha crucialmente sarcástica, levemente irônica, densamente contente. Limpou o pince-nez, checou as horas no relógio de bolso, concertou a posição do lenço no bolso do paletó negro como o meio-dia, e dirigiu-se a mais um assassinato marcado cruzando a multidão atônita crente em seu martírio.

domingo, novembro 06, 2005

últimas caeeirices...

I
ah acordar...
ver o dia como a sombra nova vê o dia!
ah acordar...
ter o sol por chapéu, bom amigo vem cá me iluminar!
ah deitar no gramado longínquo...
supor as questões findas...
como sobreviver, como viver, como amar, como... como...

ah... resvalar o céu com ternura,
ah ternura... palavra ruim de se usar em poesia.
pieguice dizem uns... mas o que é terno é bom e o que é bom eu quero.

ah entregar o ser ao ser e me ater ao estar!
compreender o que não se compreende, que não se deve compreender nada.
o rio compreende a existência do universo...
todos os pássaros são melhores aviadores, todas as sardinhas melhores marinheiras!
que o dia se finde na minha companhia, que a noite chegue... o dia é longo.
dê-me conforto ó noite... dê-me alegria ó dia!

II
buscar a felicidade é a necessidade geral da humanidade,
dizem uns que só os ignorantes são felizes...
se tal, então, ser perspicaz é sinal de burrice!

III
(...)

IV
e o lirismo se deita simples com uma folha seca ao pé duma árvore,
em minha almazinha triste e alegre como um palhaço frustrado.
e alguma sabiá declama shakespeare nalgum lugar desconhecido do universo

enquanto uma libélula decifra as questões do ser,
quietamente, serenamente, sem fazer alarde, à meia-noite, voando sobre um lago na mata silenciosa!

evoé...
easily...
e...vo.......é........

quinta-feira, novembro 03, 2005

da alma...


Proclamo as revoluções da alma. O corpo não tem significação por si só; máquina inútil, senão somente lúdica. Máquina defeituosa de dores e desconfortos. Líquidos sujos correndo nas veias. O homem almeja não ter corpo, superar-se a si e às dores, e ter o ar e ter a brisa por amigos. Limitado e humano quer aproximar-se de Deus, onipresente, onipotente...

Mas, Deus há? O que há além do homem? Indiferença, terror, vazio... o que não há, o nada? Se há Deus devo estender o melhor tapete e limpar o oratório já tão velho. Mas se não há, existe só o homem e o nada a bater-lhe à porta, como uma liberdade imensa e angustiante, como quem está sob a chuva e não tem guarda-chuvas. O que se deve então, além de esperar as horas fatais em que se descobre os mistérios da vida? O que se deve? Ater-se ao já? Ao agora que não se acaba, numa sucessão de agoras inacabáveis?

Proclamo as revoluções da alma. Que já não se tem a si de tão extensa. E derramo ao leito dos dias e das horas escuras em que se questiona, meu peito desgovernado e humano em forma de frases extremas. E me estendo na indissolúvel rede de armar em que está a existência e deflagro uma grande noite chuvosa para dormir.

sábado, outubro 29, 2005

Balada de uma noite suburbana...

Antônio tomou o último gole e saiu apressado, duas quadras abaixo virou à direita e à esquerda e à direita de novo e se imiscuiu à sombra eterna dos postes apagados. Ela tinha de estar em casa ainda. Cruzou a última rua desviando-se dos carros apressados e bateu forte na porta, como só um bêbado faria. Bam, bam, bam!
Nenhuma resposta, nenhum ruído. Ela devia estar em casa ainda, assustada talvez, escondida quem sabe!... Bam, bam, bam! Nenhum dos dois se atrevia a dizer alguma palavra. Os vizinhos nem se apercebiam do barulho, nem a tensão emocional de ambos. “Sua...! Sua...!”, engoliu o xingamento com um o choro que quase brotava. Bam! (...) bam. (...) (soluços lentos, baixos de não se ouvir.)
(... Agora soluços altos e choro desbragado pra todos ouvirem.) Toc, toc... abre amor, diz quase gritando. Por favor... tô arrependido! Não vivo sem v... v..ocê! Ela não significa nada pra mim. Eu juro! Eu j.. juro. Por favor...!
(..., instante de silêncio. Ele enxuga as lágrimas. Ela...)
...clict. Buuuummm! Bummm! Bum!
O som de um corpo caindo ao chão é ouvido a quilômetros de distância, os vizinhos finalmente acordam então, mas continuam a cometer adultério e o crime passional nosso-de-todo-dia.

terça-feira, outubro 25, 2005

Maldita Rotina!

Cinco horas. Triiiiiiiimm! o sol clareva prostitutamente pela cortina.
O chuveiro não esquenta, o leite acabou, onde está a chave? Maquinalmente, porta fechada, caminha rápido até o ponto. A fila dobra a esquina, no ônibus leva uma cotovelada de uma velhinha, mas consegue entrar. Desce, corre pelo terminal se desviando os camelôs da aurora, mas a porta do ligeirinho fecha em seu nariz... de volta pra fila, cabeça baixa, sente os olhares sobre si. Uma quarentona o paquera com o olho meio assim de esgueio. Não dá bola. O ligeirinho chega, prateado, lotado, apertado... Não consegue se sentar. Em pé, com o último dedo se segurando na haste metálica sente o suor aparecer e uma encoxada de um estranho. Um crente anuncia o apocalipse, alguém diz que é sábado e Deus não trabalha. Olha o relógio, todos os dias nessa hora ele olha o relógio. Só nessa hora, no restante nem se lembra de ter algo dependurado no braço, sempre no horário. Resolve confirmar no relógio de um cara vermelho muito gordo que falava alto como uma sirene de navio. Atrasado... filho-da-puta desse relógio, me enganou hoje! Na verdade estava parado há dias sem que se fosse percebido. Outra quarentona o paquera, não dá bola de novo, tem vontades de matá-la, pelo menos um sôco. Uma ruivinha de decote o olha com um charmezinho. Hmmmmm... Mas está cansado... como Sísifo ao ver a pedra rolar, os olhos se fecham involuntários e se abrem em seguida quando o ônibus pára. Hora de descer, a ruivinha lhe dá um tchau com o olhar. Ele retribui cavalheirescamente. Mais uma quadra até o serviço. Tropeça na calçada, dormiu pouco... essa insônia desgraçada. Minha cama, minha cama... Cadê minha cama...? Abre a porta, o patrão o aguarda.
__Hmmm... atrasado! De cara feia... dois segundos e uma gargalhada.
__...!, pensa estupefato.
__Seu pôrra hoje é dia de folga, não ficou dormindo porquê?
Sai, se esconde atrás de um poste e dá uma bofetada em si próprio.

domingo, outubro 23, 2005

Delenda est curitiba!


Há uma curitiba da saliva dos clientes gordos que desce pelo corpo das putinhas. “Ah bons tempos em que eu fazia ponto num puteiro decente...” __ pensava ela enquanto o cliente salivava mais. A mesma curitiba que anda vestida de bonitinha na rua XV dança na Lidô e se oferece nas boates, com olhos azuis; a mesmíssima e triste curitiba que nega bom-dias no Shopping Estação se renega a ver os mendigos. O inglês diz que é boa essa curitiba de parques e puteiros cubiculares e volta a morar na Inglaterra. Uma tal curitiba há que tem o oil-man por ícone, outra que é devota dos Faichecleres, outra de São Francisco, outra de idólatras e súditos carrancudos da neblina densa das manhãs de inverno... A curitiba das bebedeiras no Largo da DesOrdem não vê a curitiba da feirinha nos domigos de sol. A curitiba das BMW’s não repara numa outra que não come a dois dias. Aquela de freirinhas que se masturbam na escuridão do claustro, aquela que bate a carteira dos desatentos e aquela outra que fala sozinha como o Esquizofrênico da Biblioteca Pública, uma curitiba de bas-fonds e botecos, não aquela aristocrata e metida dos pubs. Não aquela que almoça no Madalosso e ouve jazz, essa traja suspensório e vai vender livros na Chain. Há uma curitiba que se deita com qualquer um, outra que se guarda para o noivo; uma que atira cuspes na cruz, outra que goza ao vê-la; uma que fica nua em Caiobá, outra que não vai à praia e repete o sinal da cruz ao ouvir palavrões, uma da Boca Maldita, outra de uma maldita boca de infâmias silenciosas sob sorrisos para os turistas.

A todas as curitibas deve-se devotar o ódio imparcial com que elas nos olham. Delenda est curitiba. A salivinha continua a escorrer dos clientes e o sol nasce sobre a neblina. Destruamo-nos a todos, curitibocas que fazem a curitiba que cada um quer. Destruamos já nossos altares e nossas bíblias e desçamos ao rés da realidade. Ó doce e amarga realidade em que nada pode ser melhor que Curitiba. Um brinde, numa taça de prata com a melhor cicuta, à todas as curitibas! Tim-tim!