domingo, setembro 11, 2005

Ataque de Bertile à Sociedade


Duas horas da manhã e os goles não cessam no Holmes, bar do Largo da DesOrdem. Caipiras e cervejas, dia de bebedeira para a Sociedade. Nunca freqüentavam lugares classe A por simples susperstição de gângster.
__Quando a humanidade atinge certo grau de profundidade racional ela torna-se angustiada. Disso nascem os suicídios, eles são apenas resultado de uma mente aberta à finitude humana, disse o Macabro, Leonard, maior assassino que Ctba e região metropolitana já viu. Famoso por suas citações Nietszcheanas antes das suas execuções, treinava ele agora seu furor filosófico tendendo ao niilismo Schopenauheriano.
__Desconheces tu a Vontade de Potência que acompanha a realização do verdadeiro homem. Não há humanidade plena fora do überman. Zancanarius com essa frase em que tentava dominar os efeitos do álcool e destilar seu furor verdadeiramente nietszcheano replicou ao Macabro enquanto coçava seu cavanhaque.
Velho hábito desses salafrários sanguinolentos, era o de beber em nome de suas vítimas. Assim foi depois do ataque à casa de Joe El. Fascínora elocubrativo dotado de qualidades hipnóticas e revendedor de H.E.C., droga importada da Alemanha também conhecida como “Hegelian Ecstasy’s Condensed”, Êxtase Hegeliano pro’s íntimos da substância. Joe EL era um dos maiores adversários da Sociedade, distribuidora oficial de heideggeraína de Ctba, no comércio de psicotrópicos. Este foi mandado ao Hades após ser obrigado a explicar a Dialética de Hegel em contraposição ao Dualismo Cartesiano e as Reminiscências de Platão sem ter de se utilizar dos exemplos da mesidade e da garrafidade... o que o fez confundir a garrafidade com a mesidade e também o cubo de sal embaralhou suas qualidades deixando a Joeelzidade longe do coitado Joe El. E agora um brinde era levantado... Dois Vivas! E Dany, a Anticristine saiu à francesa ao banheiro, nisso um sssssssssssssss... foi ouvido e... do lado de Stiepánovitch uma flecha estacou na parede. O que o fez terminar a frase ao meio em que empesteava o nome de Dostoi Naka fugido ao Quênia. Um bilhete enrolado à flecha: “Os crimes da Sociedade acabam agora, suas almas me pertencem! ASS: Bertile, A justiceira vingadora!”

Sim era ela... Bertile que foi trocada por Dostoi Naka por outra moçoila de descendência não oriental, ele queria miscigenar, a orientalidade somente não lhe era possível conceber aos seus futuros rebentos. Bertile fora trocada por uma negra judia queniana, e ferida no imo de sua origem e cultura. Formada em artes ninjiutsas, dona de uma capacidade assassina incomparável, fora contratada a peso de ouro pela Máfia Casaquistaniana de Dom Ilendilavski e agora destinava todo seu furor
na perseguição e destruição de Naka e todos os outros cabeças da Sociedade.
No alto da igreja em frente ao Holmes’s Pub a pequena bertile não expressava nenhum sinal de felicidade, alegria, dor, ódio ou qualquer descontrole, apenas uma frialdade comum aos hábitos guerreiros de uma ninja. Então o ataque começou...

domingo, setembro 04, 2005

Pam no mundo insano dos amores que dão certo!


Por sobre as nuvens havia sol, mas abaixo delas as pessoas viviam absortas e graves. O sol não iluminava a terra e os homens e mulheres andavam com um olhar estranho. Estranho, como de quem tem algo a esconder. Pam não olhava as pessoas e caminhava absorta também pelo calçadão após um dia intenso. As imagens não se digladiavam nos olhos como antes, compunham agora formas harmônicas entre si. A expressão séria das pessoas não afetava esse sentimento de leve consentimento ao destino. Ah o destino! Fora-lhe rígido com espinhos nos passos e nas mãos. O passado dera-lhe, ao lhe retirar, a força necessária pro presente. E repetia pra si mesma: “ eu te rodeio de pétalas ruivas...”; versos que um certo rapaz lhe fizera e que agora fazia que o coração despejasse sentimentos leves e deliciosidades humanas sobre a alma.

Subiu ao ônibus como se os degraus fossem de uma escadaria de nuvens que levasse a céu cor-de-esmeralda numa manhã de domigo, alguns minutos passaram como se a paisagem de prédios de subúrbio e automóveis rápidos fossem o Éden, desceu em seu ponto habitual e cruzou a rua, entrou em sua casa e deitou-se em sua cama de lençóis brancos com detalhes alaranjados, como se esta fosse um altar de bons sentimentos, e viajou com a insanidade dos amantes ao mundo dos amores que dão certo. Os problemas cotidianos curvavam-se e desapareciam nos olhos fechados, na ludicidade de sonhar-se acordada. Esteve ali por um longo tempo, de vários minutos, os postes da rua já estavam acesos, e deixou um blues ressoar pelo quarto enquanto se alimentava de emoções. Nada mais de casos impossíveis, distâncias absurdas, abismos de separação, lembranças e lembranças na memória cansada... Tudo deixado de lado por uma ordem imperiosa da emoção leve que sentia. O passado tornara-se inconveniente. Não há passado. E o coração abriu-se em pétalas em flor. Inebriada com sua imaginação olhava ao lado com olhar de admiração nos olhos fechados como se lá estivesse o rosto que desejasse ver. O quarto de janelas fechadas, mas uma brisa corria pelo seu corpo.
O tempo rodava devagar pelo relógio, ainda que lá fora voasse. De olhos fechados e respiração vagarosa de quem dorme viu um buquê de margaridas brancas, logo uma planície das mesmas flores e estrelas brancas no céu azul. Paz e calma nas pétalas. Nas pétalas brancas... Nas pétalas... TRIIIMMMMM! O telefone! O telefone! Ah tenho que atender! Hmm... tão longe das mãos, justo enquanto sonhava tão tranqüila!
__Alô!
__Oi, oi! Sou eu... __ num sobressalto do coração Pam respirou rapidamente quase assustada __ Liguei por que queria saber se... bem... Se não quer sair hoje à noite... comigo?
Contendo o riso, cheio de contentamento e lisonjeada que estava, respondeu com voz melodiosa:
__Bem... Onde você quer ir?
__A qualquer lugar... se eu tiver sua companhia!
E o universo teve sentido nesse momento, e as tempestades se acalmaram e toda fúria e violência dos furacões agora modificaram-se em calma e fluidez!
E o conto acabou__ numa esquina entre dois corações!
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Pós-escrito:
No outro dia, por entre as nuvens e o mar e o sol, um som sibilante de turbinas desceu sobre o Santos Dumont.
__Mais um daqueles jumbos vindos de Curitiba!... Disse o fiscal estupefato.
__Pois é!
__Para o mesmo endereço?
__O mesmo... São João do Meriti!
__Mas como pode caber tanta flor numa casa só?!
__Eu li o cartão, lá está escrito: “a serem guardadas na alma pura de um lírio!”

... e finalmente: fim...

quinta-feira, setembro 01, 2005

Um trecho de "Ode Noturna"!

"O senhor com o acordeom, sentado numa banqueta, tocando uma música lenta e chorosa, tem verdades indizíveis soprando do seu velho instrumento. Ele pára de tocar, limpa os óculos, põe o seu chapéu, pois está frio e quer parecer mais respeitável Do que os senhores que usam bonés. E agora toca mais confiante, mais verdadeiro, e mais, muito mais choroso e melancólico. As pessoas não olham, alguns parados ouvem-no tocar. Não vêem a expressão de dor ao dedilhar as teclas pretoebrancas. Não a dor corporal, reumática, que talvez lhe dificulte os movimentos, não essa, mas uma outra dor, metafísica, da música que escapa de seu acordeom e de sua alma, e revoa pelas lojas e pedestres desatentos, e acorda o mendigo sob a marquise. E detém todas as verdades do universo. A melodia triste desses tempos modernos invade a alma."

quarta-feira, agosto 24, 2005

Suicídio constante e declaração de fúria iluminada!


Meu coração explode todo dia, ao acordar e dar-me por ainda vivo. “Oh! Não se mate!”, disse Drummond. Drummond não sabe nada sobre matar-se. Mato-me 70 vezes por minuto a cada bater do coração. Desastres na mente pulsativa, catástrofes como um beijo violento, um cheiro de suicídio, dois passos para o caos e um para o cosmos, uma moeda para um mendigo e um escarro para os deuses do pó. Dizer “com licença” é ser eufemista para “vá-te a puta que o pariu!”.As pombinhas brancas são todas pederastas, os meninos todos monjes estupradores e santos distribuidores do ódio em potencial, as meninas freiras-deusas e prostitutas, de lascívia e pureza, numa luta interna entre o talvez e o se. Creram uns na divisão fácil do mundo em filosofias, outros retiveram-se na simplicidade e na inocência e uma terceira classe, de párias covardes, tornou-se pedante e podre! Dizem uns “escrever é coisa de maduros”, mas os maduros em breve apodrecerão! Retenho-me na angústia e no descontrole. Não escrevo por gosto. Escrevo por fúria! Sobrevivo.

“Luz! Luz! Mais Luz!”

quarta-feira, agosto 17, 2005

verborragia noturna!

Estupendo o sol acordou sobre o leste e caiu sobre as almas, que distraídas, flertavam com a eternidade ignorando a finitude. Trevas e tiros de luz espocando na lentidão quente do meio-dia, silvos e psius! desviando a humanidade ao torpor maravilhoso, brisa e calma, euforia e riso. Qual coração? pergunto eu. Qual coração flechar? Boas e más notícias trazidas. Cupido ao entardecer, Baco à meia-noite. E os olhos se abrem em silêncio contido e vão por um caminho desconhecido onde a lua e a neblina ceiam as almas de anjos meninos e flui do nada uma ária de Valquírias loucas. E cai... cai como o sereno no mundo absurdo dos tornados e dos moinhos enquantno o sol se põem.

quarta-feira, agosto 10, 2005

Ilenidlav mergulhado profundamente nas revoltas e tormentas de sua mente!

" Era cedo demais para se acordar, mas para quem estava a noite toda em claro seria normal estar em pé às cinco da manhã. Esteve à beira da overdose com ramonaína aquela noite, uma droga feita com os dejetos mais espúrios e sobras de toda sorte de rejeitos químicos. Bala na cabeça! Ah vc's não sabem, é bala demais! A gente fica louco e nem sabe... nem sabe o que tá fazendo.
Mas Ilenid era demais, fazia coisas demais, de um jeito estranho demais. Saiu pela rua endoidecido com uma fúria por toda coisa viva que via. Resultado: cinco assassinatos, seis espancamentos, quatro tiros à la franco atirador. Ele adorava atirar para o nada, quando esse nada era um monte de cabeças humanas despercebidas na rua. Bum... Eu ouvi um dos tiros. Corri até ele então levei-o ao meu apartamento na Avenida Rinska e explodimos nossos corpos numa entrega insana de emoções e nos deitamos e dormimos até as duas da tarde."
Giullia Neuen Katzenberg, ex-namorada de Martin Ilenidlavski.

segunda-feira, agosto 08, 2005

O início do fim!

"...e então desceu a rua correndo como um louco, olhando para traz às vezes, mas sempre batendo com aqueles pesões no chão: bam, bam, bam, bam...
É eu conheço ele. Tinha feito algo de errado. Subi a rua em direção do lugar de onde ele tinha saído, duas esquinas acima havia um corpo caído no chão com um rasgo que ia da cintura ao pescoço. Coisa horrível. Eu conhecia o tal, era o Schwarz, traficante, assassino, assaltante. Não sei quem estava mais errado, mas o tal caído no chão me disse ainda antes de morrer: me empresta sua blusa, tá ficando frio. Eu emprestei, foi a última coisa que ele disse, então corri também para não dizerem que havia sido eu. Esqueci a blusa lá. Mas os polícias nem vieram atrás de mim, não. E foi isso naquela noite. Mas durante o dia choveu muito e a chuva apagou o sangue do chão e da memória.
Louco como era não passava muito tempo sem aprontar alguma. Não tinha como, foi assim que tudo começou com o Ilenid, meu irmão mais novo, nos tempos de punk antes da máfia."

Depoimento de Layla Ilenidlavski, sobre seu irmão mais novo Martin.

sábado, julho 30, 2005

Batalha fatídica entre Stiepán, o cavaleiro do triste sentido figurado, e Valdinéli, o destemido senhor do Hades!

vldnl: "'cause everybody has a poison heart!" diz:
en garde, ser decrépito!
Estevão diz:
Despresível entre os vermes, erga seu espadim para que não tenha eu a fama de covarde!
vldnl: "'cause everybody has a poison heart!" diz:
essa sua faquinha inútil não poderá bater meu florete de aço espanhol!
tens a fuga por escolha, vá enqto há tempo
Estevão diz:
Não desdenhe meu gládio, pois nele repousa a causa mortis de incontáveis e saibas que a evasão nunca foi opção para mim, pois agora relego a vós este subterfúgio dos covardes!
vldnl: "'cause everybody has a poison heart!" diz:
chamas-me de covarde... nenhum dos vermes aos quais já dei fim teve a petulância arrogante e estúpida de dizer tal ultraje!
vldnl: "'cause everybody has a poison heart!" diz:
de espada desembainhada chamo-vos ao duelo pelo coração da princesa Tatiane! Ó bela Tatiane, sereis minha! não vos preocupeis!!
Estevão diz:
Não me compares aos ignominiosos seres que lhe cruzaram a frente, conheço tua fama de assassino de meretrizes e andarilhos solitários, mas hoje desafiaste um homem honrado e terás teu fim em razão de tua perfídia para com o que há de digno! E não ouseis balbuciar o sacro nome de Tatiana, Oh Helena entre as mulheres, e tu o carrasco de minha bem amada sentirás o peso de minha Montante!
Estevão diz:
O medo te fez calar-te? Sua língua vacilou ao se deparar com o elevar da minha montante? Seja homem e não temas a hora final que te aproximas, recebe-a como o cálice que te cabes pois este é segundo melhor presente que poderias ter recebido!
vldnl: "'cause everybody has a poison heart!" diz:
jamais me calaria ante teu palavrório frouxo e tresloucado, sua retórica chã não tem veemência para gelar esses músculos endurecidos pela vida que possuo!
vldnl: "'cause everybody has a poison heart!" diz:
tive de me desprender para atender aos clamores de um pequeno jovem que pranteava-se em seu berço a procura de amparo. Hoje acumulo as funções de tio, babá e cavaleiro andante que te fustigarás com este golpe em sua armadura puída pelo tempo e pelos seus tenazes!
Estevão diz:
Oh...! maldito sejas, me alvejaste convardemente com teu punhal oculto! Pérfido! Despertaste a ira daquele que há de te sucumbir! O extermínio te concedo agora com meu golpe, Infame!
vldnl: "'cause everybody has a poison heart!" diz:
ó... ignominioso entre os ignominiosos! sois baixo e não tens a hombridade de golpear segundo as regras da cavalaria andante! golpeaste-me como um cão selvagem à uma presa! vejo sangue pelo minha armadura! pagarás caro pela sua falta de honra! Esteja pronto para este golpe com as costas da espada em seu elmo sarraceno!
Estevão diz:
Teus golpes assemelham-se a coice de éguas xucras prenhas, pensas que com tão oblíquo golpe hás de acerta-me novamente? Só conseguis-te tal proeza quando fizeste uso da convardia, mas hei de dar cabo nela e em teus improprérios! Que a lâmina de minha montante te transpassa o corpo!
Estevão diz:
E que tuas vísceras venham a ser alimento de corvos!
vldnl: "'cause everybody has a poison heart!" diz:
ó... o sangue jorra! sinto minhas funções vitais falharem... minhas vistas já enegrecem, mas a ainda há forças nas mãos para rasgar-lhe o peito com meu florete! touché!
vldnl: "'cause everybody has a poison heart!" diz:
ó demônio revestido de aparência humana... mandaste-me ao limbo negro dos desconectados... eis me volta a atormentar-te!
Estevão diz:
Assombração infernal! De onde viestes? O limbo é teu repouso agora! Mas não penses que enquanto avejão irá conseguir enlear minha mente! Irei quantas vezes necessário for mandarte aos confins!
vldnl: "'cause everybody has a poison heart!" diz:
os mortos-vivos jamais morrem... mas ainda tenho como pena atormentar-te a eternidade. conhecerás a catarse de seus crimes pelo sofrimento que hei de te causar, ó armadura esquelética de dasein torpe!
Estevão diz:
Sei que este inomivavel prazer só poderei saborear uma só vez, mas certamente essa não terá sido a única vez que te farei esbrasear no Tártaro!
vldnl: "'cause everybody has a poison heart!" diz:
o Hades não é comparável ao terrível sofrer de lhe ver ainda vivo... arranco-te a alma à força das carnes fétidas que possuis! venha agora comigo ao antro dos demônios que é seu lugar!
Estevão diz:
Não é por estar sem tua rota carcaça é que levarás a termo facilmente aos teus propósitos, ultimando-os! Eis que carrego o abençoado amuleto que minha Helena forjou para que criaturas como as da tua laia não viessem turbar-me os caminhos e o sono.
Estevão diz:
Agora amarro-o, oh tão prezado amule, à ponta de meu gláudio e assim tereis força para amarrar-te definitivamente aos ardis do Érebo!
vldnl: "'cause everybody has a poison heart!" diz:
não conheço o Érebo e nessa época do ano o fogo infernal lhe será mais aclimatável... ser desprezível... ficareis sendo a pedra de Sísifo! o fígado de Prometeu, os moinhos de teu mestre quixotesco!
Estevão diz:
Voltaste sarcástico ou as chamas do Averno secaram-te o juízo? Eis que não resistiras agora aos golpes da minha montante guarnecida com o amuleto de minha amada! Ela te presenteará com o fim de tua existência!!
vldnl: "'cause everybody has a poison heart!" diz:
voltei, mas já revolto para as cinzas do além-mundo com tua alma pútrida ser decrépito... a madrugada avança e devo levar-lhe já. Não tive Tatiane, a sensual, mas terei sua alma nas chamas da perdição!

Post Scriptum:
Então a conecção do além-mundo com este perdeu-se e ambos os cavaleiros voltaram aos seus aposentos, um no Hades, outro na Augusto Stelffeld!

domingo, julho 24, 2005

Tiroteio épico nas ruas de Ctba e revelações sobre o mensalão!

Duas horas da manhã na Avenida Cândido de Abreu. E uma pick-up acompanha um caminhão repleto de ampolas de heidegeraína. Tudo bem arquitetado na mente do “Metódico” Zancanarius. Leonard com sua bereta de estimação em punho. Contavam-se trezentos pequenos riscos no cano dessa arma já famigerada, de trezentas vítimas abatidas pelo Macabro. Capuzes negros e adrenalina no sangue!!! Numa das esquinas o caminhão é interceptado e tiros e tiros são ouvidos em todo o Centro Cívico. Os capangas da Sociedade não sabiam, mas também estavam sendo seguidos por Ilenidlavski em pessoa. O sanguinário Ilenidlavski com mais capangas. Zancanarius e Leonard e seus capangas anônimos viram-se em fogo cruzado e numa armadilha muito mais bem arquitetada que seus planos pressupunham.
Bam...Tôu... puu... puu... trrarrararrara... as balas tracejantes de um AR15 de Zancanarius iluminavam fracamente a noite curitibana como vagalumes suicidas em direção do carro negro da M. C., a Máfia Casaquistaniana. Depois da Cândido a Serro Azul, pouco depois da Serro Azul atingiram a linha do biarticulado e correram por ela entre balas e projéteis sem daratenção aos sinais vermelhos. Poucos minutos de correria e estavam agora no Batel, o caminhão ficara pra trás. Leonard manejava sua bereta com habilidade nunca vista, porém um tiro com pouca mira raspou seu ombro direito tirando-lhe a certeza dos movimentos. O motorista, também anônimo: “preparem-se pro 360º”! E executou-o jogando todos contra a parede do carro. A M.C. estava agora sem saber por onde estavam seus inimigos da Sociedade. Dobrou algumas esquinas à procura, nada visto na madrugada além dos bêbados e playboyzinhos de costume.
A Sociedade voltava agora ao esconderijo, Leonard, queria descarregar sua bereta em Ilenidlavski, mas o Metódico o acalmou dizendo que a hora de tão vil ladrão chegaria. A pressa não contribui aos planos perfeitos.
E Dostoievski Naka flutuava em um Boeing em direção ao Quênia, lugar inóspito e pouco óbvio que escolhera para se refugiar das disputas judiciais envolvendo seu nome, no mais novo escândalo de compra de votos de parlamentares. Sim Naka pagava o “mensalão”, para obter leis mais favoráveis aos seus crimes, para ser acobertado pela cúpula do legislativo, e receber favores sexuais das assessoras dos deputados. Verme escroto!, diziam todos, mas não haviam provas! Apenas “acusações infundadas”, como dizia Stiepánovitch, o Advogado, aos repórteres em frente ao prédio onde estavam sendo executados os trabalhos da CPI.
Dia após dia, tudo acontecia como sempre aconteceu. O sol subindo e descendo, mendigos se encolhendo de frio nas marquises e crimes e crimes sendo executados no submundo curitibano. Enquanto isso os anticorpos de D. Naka travavam uma luta ferrenha contra os agentes de uma doença estranha recém-inoculada por um pernilongo queniano em seu sangue. Mas por infelicidade de todos os seres vivos, os anticorpos venceram e Naka nem soube de seus problemas com a malária.

terça-feira, julho 19, 2005

Retrato de província

A Província estava como nunca, ou seja, como sempre. O tempo passando duas vezes mais lento que no restante do universo. Homens, mulheres, pseudo-conservadores, cães mal alimentados, carroças e carros velhos. Quando chegamos não chegamos, pois estávamos em outro lugar que não aquele que esperávamos encontrar. Paredões escuros, poeira amarela, nuvens no céu, calor, vento, frio, vento, chuva, barro, barro... pedras na estrada sem calçamento...
Não havia uma previsão sequer de futuro naquele presente. E o presente mesmo tinha um cheiro indiscutível de passado. As revoluções acontecem a dois mil quilômetros daquelas lugar. Furacões e angústias a cinco mil. O tempo cai devagar na brisa e resvala os cabelos da moça que a dois anos era menina. Os meninos crescem com indiscutível entrega ao destino. E o destino dorme por cima das montanhas e das nuvens. Não havia como discutir, o sol até se escondia envergonhado, a província estava como nunca. Um cheiro de inverno espocava no ar. As nuvens vinham e iam, tanto que numa dessas vezes ficaram. E chchchchchchuuuuva... por entre os telhados e olhares dispersos. Uma aranha pequena fez seu abrigo nas costas de uma folha laranjeira. As poncãs mais doces da minha vida e a montanha mais fantasticamente minha do planeta, como um presente aos olhos no amanhecer. E o dia escorreu hora por hora até eu fazer as malas. Adieu, arivederti! Sentimento estranho de dever de visita cumprido e saudade dos que ficam, de lembranças doídas de um passado próximo e o sorriso de amigos de agora.
Quando a deixei, ainda continuou ela a esperar e esperar. As cartas do correio, os telefonemas dos migrados filhos de outrora, as novidades, o asfalto, as águas do rio que chegava e passava célere, os milagres e as trombetas do juízo final, se este chegar por lá. Então a aranha, pequenina que era, desceu de seu esconderijo assustada com o dia e uma margarida floresceu a muitos quilômetros dali.